A Fortalecer

A Osteoporose

Os ossos do nosso corpo estão longe de ser algo estático, pelo contrário, são tecidos vivos! São compostos por proteínas, minerais, vitaminas, vasos sanguíneos e células vivas que os ajudam a crescer e a reparar-se.

Nascemos com cerca de 300 ossos moles. Mas, durante a infância e adolescência a cartilagem cresce e é lentamente substituída por osso duro. Mais tarde, alguns desses ossos fundem-se dando origem ao esqueleto adulto, que tem 206 ossos.

São inúmeras as funções do esqueleto, este não serve apenas de suporte estrutural para o corpo. Na verdade, os ossos protegem os nossos órgãos vitais, fornecem um habitat para a medula óssea (onde as células sanguíneas são produzidas) e ainda servem para armazenar determinados minerais, como o cálcio, que é seu constituinte tal como matéria orgânica rica em proteínas, entre as quais se destaca o colagénio (que é a proteína mais abundante do nosso organismo).

É entre os 20 e os 30 anos que atingimos o auge em termos de massa óssea. Contudo, esta vai diminuindo a partir dos 40-45 anos de uma forma contínua em ambos os sexos e, no caso da mulher, de forma abrupta e rápida depois da menopausa.

À medida que a idade avança, o processo de remodelação óssea torna-se cada vez mais difícil e o osso destruído é sempre superior ao osso formado. E é esta diminuição da densidade óssea que, com o tempo, torna os ossos mais frágeis, quebradiços, incapazes de suportar cargas e mais vulneráveis a fraturas, dando origem à osteoporose.
O esqueleto, um tecido vivo
Osteoporose
O termo osteoporose significa literalmente "osso poroso" e esta é uma doença que resulta da redução da densidade e qualidade dos nossos ossos. Para compreender melhor, um osso saudável observado ao microscópio assemelha-se a favos de mel. Já um osso com osteoporose tem esses favos de mel muito maiores e mais largos.

De salientar que à medida que os ossos se tornam mais porosos e frágeis, o risco de fratura aumenta consideravelmente. Contudo, a perda óssea acontece de uma forma silenciosa e progressiva e, muitas vezes, não há sintomas até a primeira fratura. Por vezes os ossos ficam tão fracos que podem partir-se numa queda, ou em caso de osteoporose mais grave, até após um simples espirro.1

As fraturas mais comuns associadas à osteoporose ocorrem no punho, anca e coluna. As fraturas vertebrais podem ter consequências sérias como perda de altura, dor intensa nas costas e deformidade (a chamada corcunda). Já uma fratura na anca frequentemente requer cirurgia e pode ter como consequência a perda de independência ou mesmo a morte.2

Será que está num grupo de risco?

A osteoporose é conhecida por ser uma doença silenciosa. Muitas vezes só é diagnosticada quando acontece a primeira fratura na sequência de pequenos traumatismos (em especial nas vértebras, anca e punhos).

De qualquer forma, as dores nas costas súbitas, intensas e inexplicáveis são, por exemplo, um dos possíveis sintomas da doença.

Não fique à espera dos sinais. Os sintomas podem ser invisíveis! Também as mudanças na forma do corpo podem ser um bom indicador da patologia. É frequente a pessoa com osteoporose "perder altura" (superior a 2,5 cm), ficar com a coluna arqueada (chamada corcunda) e com ou ombros descaídos para a frente.

Como consequência desta mudança estrutural, as costelas "encostam" nos ossos da bacia, a cintura fica mais larga, o abdómen mais proeminente e a parte de baixo das costas mais plana.6
Como a osteoporose não apresenta sintomas óbvios, além de uma fratura quando o osso já está significativamente enfraquecido, é importante que o médico avalie qual o grau da densidade mineral óssea, principalmente se a/o doente estiver num grupo de risco.

A densitometria óssea (DEXA), exame de raio-X de baixa radiação, é o exame mais importante para o diagnóstico da osteoporose, pois permite medir a densidade do osso, que está diretamente relacionada com a massa óssea. Este está recomendado para mulheres depois dos 65 anos e nos homens depois dos 70, ou em ambos os sexos depois dos 50 anos se existirem fatores de risco.

O teste possibilita avaliar a densidade de mineral óssea (DMO) de uma determinada área, podendo ser realizado em diferentes regiões do corpo, incluindo anca, coluna vertebral, antebraço, punho, dedo ou calcanhar.

Quando a DMO se encontra abaixo de um determinado limiar (T-Score < -2,5) é considerado que a pessoa já tem osteoporose.

Além de segura (baixa radiação)7 e indolor, a densitometria óssea é um teste que fornece informações importantes sobre a saúde óssea e é uma ferramenta útil para prevenir ou evitar o agravamento da osteoporose, pois um diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença no bem-estar futuro.
Atualmente existem várias opções de tratamento eficazes na manutenção da densidade óssea e redução do risco de fraturas. É importante realçar que a escolha do tratamento terá sempre de ser adaptada às necessidades e ao estilo de vida específico de cada pessoa.

Existem medicamentos ou suplementos com finalidades diferentes, nomeadamente:

  • Medicamentos para inibir a reabsorção vs. estimular a massa óssea

    Os medicamentos vão atuar em diferentes mecanismos do metabolismo ósseo. A maioria é usada para inibir a reabsorção/perda ósseas. Mas, existem outros fármacos que têm como objetivo estimular a formação óssea e ainda outros que, eventualmente, atuam sobre ambos os mecanismos, reduzindo o risco de possível fratura.
    De salientar que estes medicamentos não têm efeito nas dores de costas ou qualquer outro tipo de queixa óssea. Contudo, e mesmo não sentindo nada, atuam tornando os ossos mais fortes.
  • Suplementos de cálcio e vitamina D

    Os suplementos de cálcio e de vitamina D são igualmente uma terapia frequentemente prescrita pelo médico. O objetivo é garantir a ingestão adequada destes nutrientes, bem como a máxima eficácia dos medicamentos. Por fim, o consumo adequado de cálcio e vitamina D, além de ajudar a prevenir a osteoporose, é também importante para ajudar a manter a função muscular nas pessoas com osteoporose.
  • Medicamentos para controlar a dor

    No caso de dores nas costas provocadas pela osteoporose, o médico pode ainda receitar medicamentos para as dores (analgésicos).
Para evitar as consequências da osteoporose - aumento da mortalidade após a ocorrência de fraturas vertebrais ou da anca, dor crónica, perda de autonomia, deformidades e depressão - o melhor mesmo é prevenir a doença, promovendo um estilo de vida saudável para os ossos em todas as fases da vida.

O desejável seria que a prevenção começasse logo na infância, com uma dieta saudável e exercício físico regular, de forma a atingir o maior "pico" de massa óssea possível. Isto porque quanto mais massa óssea existir na idade adulta, menor será a probabilidade de ter ossos fracos e quebradiços no futuro.

Para as mulheres, a prevenção precoce é especialmente importante, pois é sabido que a perda óssea é um processo rápido após a menopausa, por volta dos 50 anos, quando o efeito hormonal protetor do estrogénio é perdido.

Desta forma, e para evitar a perda prematura de massa óssea, deverão ser colocadas em prática na vida diária algumas alterações simples, nomeadamente:
  • Garantir uma alimentação saudável que inclua quantidades suficientes de cálcio e proteínas, essenciais para a saúde óssea.
  • Garantir um aporte adequado de vitamina D. Um adulto precisa de cerca de 15 minutos de exposição solar diária para a sua síntese. Pode também aumentar-se os seus níveis aumentando a ingestão de alguns alimentos, como peixes ricos em ómega 3, ovos, cogumelos e laticínios fortificados. Contudo, deve ser considerada a suplementação de cálcio e vitamina D quando o consumo de laticínios é baixo e se passa pouco tempo ao ar livre.
  • Manter um peso saudável. Atenção que ser muito magro (índice de massa corporal abaixo de 19) é também prejudicial à saúde dos ossos.
  • Participar em atividades de exercícios que melhoram o equilíbrio, a postura, a coordenação e a força muscular é fundamental, pois à medida que envelhecemos, perdemos a massa óssea e muscular mais rapidamente, tornando o exercício ainda mais importante. Além da atividade física regular, devem ser realizados exercícios que melhorem o equilíbrio e promovam o fortalecimento muscular.
  • Avaliar e prevenir o risco de quedas é outra medida que deve ser implementada, principalmente nos idosos. Desta forma, é importante remover obstáculos como tapetes ou fios elétricos, iluminar adequadamente as divisões, utilizar calçado adequado, evitar medicação sedativa, corrigir perturbações da visão ou audição, entre outras medidas.
  • Evitar fumar e beber bebidas alcoólicas regulamente.8

Referências:

  1. National Osteoporosis Foundation (https://www.nof.org/patients/what-is-osteoporosis/)
  2. International Osteoporosis Foundation (https://www.iofbonehealth.org/what-is-osteoporosis)
  3. International Osteoporosis Foundation (https://www.iofbonehealth.org/fixed-risk-factors) / Associação Nacional contra a Osteoporose (http://aporos.pt/quem-esta-em-risco.html)
  4. International Osteoporosis Foundation (https://www.iofbonehealth.org/modifiable-risk-factors)
  5. International Osteoporosis Foundation (https://www.iofbonehealth.org/fixed-risk-factors) / Associação Nacional contra a Osteoporose (http://aporos.pt/quem-esta-em-risco.html) / National Osteoporosis Foundation (https://www.nof.org/patients/what-is-osteoporosis/)
  6. Associação Nacional contra a Osteoporose (http://aporos.pt/sintomas.html) / Instituto Português Reumatologia (http://www.ipr.pt/index.aspx?p=MenuPage&MenuId=199)
  7. Instituto Português Reumatologia (http://www.ipr.pt/index.aspx?p=MenuPage&MenuId=204) / International Osteoporosis Foundation (https://www.iofbonehealth.org/diagnosing-osteoporosis)

Fontes:

  • Associação Nacional contra a Osteoporose (APOROS)
  • Sociedade Portuguesa de Osteoporose e Doenças Ósseas Metabólicas (SPODOM)
  • Sociedade Portuguesa de Reumatologia
  • Instituto Português de Reumatologia
  • International Osteoporosis Foundation (IOF)
  • National Osteoporosis Foundation (NOF)
  • American Society for Bone and Mineral Research (ASBMR)